A vida não é feita de manuais
Cada vez mais vejo leitores encontrando este blog por meio de buscas no Google por fórmulas prontas do que fazer, vestir e até falar num primeiro encontro. Fico imaginando um monte de robôs sentados num restaurante, com um papelzinho contendo o diálogo pronto no bolso, no caso de esquecerem alguma frase do script, já previamente decorado e ensaiado. Pois bem, se você está em busca de um ‘manual’ definitivo sobre sedução, veio ao lugar certo. Mas, se espera encontrar páginas e páginas recheadas de teorias, vai se decepcionar. Porque o tal ‘manual’ se resume a uma (sim, apenas uma!) palavrinha: naturalidade.
Nada é mais apaixonante e sexy do que ser natural – e isso não tem nada a ver com vaidade (ou falta dela). Ninguém conquista alguém pela roupa que veste, pelos livros que leu ou pelo que tem ou deixa de ter – isso não é amor, é só impressão ou, pior, interesse. Se você quer alguém apaixonado pelo seu carro ou pela sua bunda, esqueça este texto e pare a leitura por aqui. Escrevo para os que preferem ser amados de verdade, pelo que são. E ponto.
Coisa chata essa de ter tudo planejado sempre. Nada é mais sem graça do que gente previsível, encontros esperados, falas decoradas e estradas mapeadas. A vida é feita de emoções, surpresas e pessoas que podem ser tudo, menos óbvias. Então, largue essa moda que enfiaram na sua cabeça de que é preciso simpatia demais, beleza demais, decotes até o útero, corpos bronzeados e esculturais, e ser legal em demasia para conquistar alguém. Isso todo mundo faz, seja diferente!
E daí se você tem uma barriguinha por causa dos chopinhos? Desde que não seja exagerada, claro, é até sensual. Esqueça essa coisa patética de que homem gostoso é bombado e tem barriga tanquinho. Muitas mulheres (e eu sou uma delas) olham torto para esses tipos de caras, que acham que estão sempre “abafando” quando, na verdade, estão é nos brochando. A preocupação com o próprio corpo é tão exacerbada que é capaz de na hora H, o ser prestar mais atenção na imagem dele no espelho do que na mulher. Tô fora!
E daí se você não é mais uma “tchutchuca” siliconada, bronzeada, esquelética ou o que for? Homem tem tesão por todas as mulheres; portanto, darling, não é o seu corpitchos que vai conquistar o coração do bofe – acredite, são as suas atitudes e gestos quase imperceptíveis! E também não adianta nada ler todos os manuais de etiquetas e boas maneiras, vestir roupas caríssimas e fashions ou ter visto todos os filmes dos últimos festivais de cinema europeu. Se não rolar liberdade – uma química natural inexplicável – para que ambos se sintam à vontade para serem eles mesmos num primeiro, segundo ou centésimo encontro, esquece, porque o barco naufraga.
Olhar nos olhos do outro e nem prestar atenção no que ele fala, porque aquele olhar te hipnotiza... ver aquele sorriso que também te faz sorrir instantaneamente... conversar durante horas, horas e mais horas e não perceber o tempo passar, porque parece que vocês se conhecem há milênios e um admira o outro sem nem saberem o porquê... Nada disso se aprende, porque simplesmente não há explicação – quem dirá manual!
Charme é a arma da conquista - e não rima com ensaios e premeditações. Charme é naturalidade, mistério e até uma certa dose de antipatia e imperfeição. Ter charme é ser você mesmo e gostar de ser assim, sem precisar fazer joguinhos, chantagens emocionais à lá Reino da Criançolândia e nem forçar nada para agradar demais ao outro. E mesmo assim agradar. Portanto, invista e seja fiel à única coisa que realmente importa: a sua personalidade. O resto é detalhe. E, de uma vez por todas, jogue os benditos manuais pela janela - eles são o primeiro passo para a queda. Sua felicidade (e o coração do gato) agradece!
















