10 Maio 2007

A vida não é feita de manuais

Cada vez mais vejo leitores encontrando este blog por meio de buscas no Google por fórmulas prontas do que fazer, vestir e até falar num primeiro encontro. Fico imaginando um monte de robôs sentados num restaurante, com um papelzinho contendo o diálogo pronto no bolso, no caso de esquecerem alguma frase do script, já previamente decorado e ensaiado. Pois bem, se você está em busca de um ‘manual’ definitivo sobre sedução, veio ao lugar certo. Mas, se espera encontrar páginas e páginas recheadas de teorias, vai se decepcionar. Porque o tal ‘manual’ se resume a uma (sim, apenas uma!) palavrinha: naturalidade.

Nada é mais apaixonante e sexy do que ser natural – e isso não tem nada a ver com vaidade (ou falta dela). Ninguém conquista alguém pela roupa que veste, pelos livros que leu ou pelo que tem ou deixa de ter – isso não é amor, é só impressão ou, pior, interesse. Se você quer alguém apaixonado pelo seu carro ou pela sua bunda, esqueça este texto e pare a leitura por aqui. Escrevo para os que preferem ser amados de verdade, pelo que são. E ponto.

Coisa chata essa de ter tudo planejado sempre. Nada é mais sem graça do que gente previsível, encontros esperados, falas decoradas e estradas mapeadas. A vida é feita de emoções, surpresas e pessoas que podem ser tudo, menos óbvias. Então, largue essa moda que enfiaram na sua cabeça de que é preciso simpatia demais, beleza demais, decotes até o útero, corpos bronzeados e esculturais, e ser legal em demasia para conquistar alguém. Isso todo mundo faz, seja diferente!

E daí se você tem uma barriguinha por causa dos chopinhos? Desde que não seja exagerada, claro, é até sensual. Esqueça essa coisa patética de que homem gostoso é bombado e tem barriga tanquinho. Muitas mulheres (e eu sou uma delas) olham torto para esses tipos de caras, que acham que estão sempre “abafando” quando, na verdade, estão é nos brochando. A preocupação com o próprio corpo é tão exacerbada que é capaz de na hora H, o ser prestar mais atenção na imagem dele no espelho do que na mulher. Tô fora!

E daí se você não é mais uma “tchutchuca” siliconada, bronzeada, esquelética ou o que for? Homem tem tesão por todas as mulheres; portanto, darling, não é o seu corpitchos que vai conquistar o coração do bofe – acredite, são as suas atitudes e gestos quase imperceptíveis! E também não adianta nada ler todos os manuais de etiquetas e boas maneiras, vestir roupas caríssimas e fashions ou ter visto todos os filmes dos últimos festivais de cinema europeu. Se não rolar liberdade – uma química natural inexplicável – para que ambos se sintam à vontade para serem eles mesmos num primeiro, segundo ou centésimo encontro, esquece, porque o barco naufraga.

Olhar nos olhos do outro e nem prestar atenção no que ele fala, porque aquele olhar te hipnotiza... ver aquele sorriso que também te faz sorrir instantaneamente... conversar durante horas, horas e mais horas e não perceber o tempo passar, porque parece que vocês se conhecem há milênios e um admira o outro sem nem saberem o porquê... Nada disso se aprende, porque simplesmente não há explicação – quem dirá manual!

Charme é a arma da conquista - e não rima com ensaios e premeditações. Charme é naturalidade, mistério e até uma certa dose de antipatia e imperfeição. Ter charme é ser você mesmo e gostar de ser assim, sem precisar fazer joguinhos, chantagens emocionais à lá Reino da Criançolândia e nem forçar nada para agradar demais ao outro. E mesmo assim agradar. Portanto, invista e seja fiel à única coisa que realmente importa: a sua personalidade. O resto é detalhe. E, de uma vez por todas, jogue os benditos manuais pela janela - eles são o primeiro passo para a queda. Sua felicidade (e o coração do gato) agradece!

08 Abril 2007

A Hora do Adeus

Com os olhos apertados e o coração machucado em razão apenas daquela que ali estava ao seu lado, ela olha, pela última vez, aquele lugar. Não quer ver as caixas serem empacotadas nem os móveis levados dali. Prefere sair antes, com tudo ainda no lugar e com sua mala, pequena e imaginária, nas mãos.

Foi tudo o que lhe restou dali, daquela casa onde viveu quase todos os anos do seu um quarto de século – roupas e algumas coisas, tão poucas ao ponto de não ocuparem nem um terço do elevador de serviço, por onde saiu. E sem olhar para trás.

Nas mãos ela tinha seus pertences. Na mente, recordações, sentimentos e tantos momentos vividos e logo esquecidos. Na alma, mágoas que ela tanto tentou apagar com uma borracha já desgastada por um passado distante, mas sempre redesenhado pela outra. No coração, ela levava o que nunca lhe pertenceu – o amor e a compreensão daquela para quem ela acabara de dizer adeus.

Meio século não foi o suficiente para a que ali ficou, aprender a amar. A abraçar com vontade. A expressar sentimentos. A ser amiga e a apoiar quem mais precisa dela e quem mais a ama. Pois só a ela tem.
Meio século não foi o suficiente para ela aprender a viver. A se desvencilhar das dores passadas e enxergar que a vida dela depende dela e de mais ninguém.
Meio século não foi o suficiente para ela deixar seu tenebroso, piedoso e doloroso orgulho de lado. A aprender a dizer ‘perdão’, a perdoar e a parar de reclamar.
Meio século não foi o suficiente para ela passar a usar tudo o que tanto guarda e que não levará no caixão.
Nada foi suficiente para ela derrubar sua fortaleza inventada, demonstrar fragilidade e substituir as pedras que ela teima em colocar pela estrada, por flores - leves, delicadas e perfumadas, que poderiam facilitar um caminho que não precisaria ser tão árduo e doído.
Nada, absolutamente nada, foi suficiente para que ela conseguisse olhar ou ao menos enxergar a nitidez do que sempre esteve à sua frente: a própria semente que ela plantou. E esqueceu de cultivar. Mas cresceu. E agora se vai.

E a planta, antes florida, agora está seca. Murcha. Triste. E com sede. Muita sede. De um amor que ela nunca teve e que nunca foi seu. E nunca será nem terá, pois é o tipo de amor que não é possível substituir. E amarelada e pequenina, a plantinha permanece nas mãos daquela jovem, no elevador que tanto demora a chegar ao térreo. E nesse instante, a pergunta feita, que decidiu a partida, é relembrada:

- “Você me ama? Me diga, você me ama? A única coisa que preciso é do seu carinho...” – palavras suplicadas por uma voz plácida a gritar por um abraço que pudesse lhe salvar.

Um abraço que não existiu. E no silêncio, a resposta. Um silêncio regado a olhos de frieza e indiferença frente às muitas lágrimas que escorriam apenas de uma e que fizeram aquele coração e a planta em suas mãos, secarem.

E os passos as levavam pelas ruas... ela e sua planta. Passos esses, também acompanhados por uma borboleta que pousou em sua mão, sinal de renovação. Passos de liberdade rumo a algum lugar com sol suficiente para fazer nascer, novamente, flores no jardim que ela construirá com a plantinha que lhe restou. E juntas, colherão frutos no próximo verão. Frutos de uma esperança que só ela tem de não deixar seus próprios sonhos morrerem, mesmo que ninguém acredite neles. Mas ela acredita. Ela acredita... E isso basta. Adeus.

13 Março 2007

Carta ao mestre

Ao “ser” mais presente na minha vida, mesmo ausente


Papai me deu um beijo de despedida e partiu para uma viagem que terminou no meio do caminho. E com muitas pedras de Drummond. Meu grande mestre deixou a mesma herança para mim e para a minha mãe, só que nós a recebemos sob óticas e valores opostos. Ele recitou para nós, em silêncio, valiosos ensinamentos. Eu os escutei em português e minha mãe, em chinês.

Com a herança, mamãe resolveu enfeitar a própria vida com as tais pedras, já não mais de Drummond. Juntou todas e as colocou na porta do cofre para assegurar que o dinheiro, maldito dinheiro, nunca mais, em hipótese alguma, saísse de lá. Mamãe aprendeu a temer a falência financeira. Eu aprendi a V-i-v-er.

Eu só tinha 4 anos de idade quando papai me contou um segredo. Óbvio segredo que muitas e muitas vezes, não somos capazes de ver, porque apenas enxergamos, sem olhar, o que há à nossa frente. Papai fez com que eu percebesse que não existe certo ou errado. O que há são olhares diferentes. Assim como a Filosofia questiona a não existência da “verdade absoluta”, ao "afirmar" que há apenas interpretações da 'verdade'.

E na verdade, papai não me disse nada. Ele fez. Viveu sem já ter morrido. Morreu tendo Vivido. Papai, mais do que ninguém, me ensinou qual é o sentido da vida, ao me dar a própria vida dele como exemplo. E a minha, como oportunidade para seguir seus passos. E com a melhor herança que ele poderia me deixar: sua essência.

Papai tinha um sorriso no olhar e a alma no sorriso. Construiu uma família com a mulher por quem era apaixonado. Expandiu sua alma em uma nova vida que não persistiu à toa até para nascer. Quando ele nos levava para tomar um sorvete logo ali na esquina e simplesmente pegava a estrada rumo a outro Estado, me ensinou que a Vida é como as frases que ele costumava dizer nessas horas: “sem destino”, “sem direção”, “não tem mesmo sentido, mas nós vamos abraçar o desconhecido”. Um eterno – sim, pra mim ele é eterno – aventureiro que não viveu apenas de aventuras sem sentido. E muito se aventurou.

Não conheço n-i-n-g-u-é-m que tenha Vivido (em caixa alta, porque me refiro ao sentido literal da palavra) mais do que ele. Papai soube aproveitar o curto tempo que teve, sem ao menos imaginar o quão curto o tempo seria para ele. E se você é daqueles que acham que a “vida começa aos 40”, “aos 50” ou “ao se aposentar”, é melhor acordar e “começá-la” logo. A de papai terminou aos 36. Do primeiro (e único) tempo. Muito bem-vividos (em todos os sentidos), diga-se de passagem. Amém.

01 Março 2007

O amor não basta

Para um relacionamento amoroso acontecer, permanecer ou ressuscitar é preciso, antes de tudo, não ter medo de si mesmo


É, cara leitora, quantas vezes você já ouviu frases como “o amor supera tudo”, “eles brigam, mas se amam” e “o que importa é o amor”? Aposto que muitas. Aí você vem parar aqui e se depara com o ‘título-desmistificador-do-amor-romântico’ escrito aí em cima. Calma, antes de desistir da leitura achando que sou mais uma dessas mulheres frias, amargas ou mal-amadas a fim de detonar suas esperanças românticas, explico. Ou melhor, me apresento: sim, sou romântica e não nego. Mas, acima de tudo, prefiro a sinceridade (às vezes ácida) à doçura dos pregões (ilusórios) da auto-ajuda barata.

Muito se lê por aí que para um relacionamento “dar certo” – expressão muito vaga, por sinal – é preciso levar ao pé da letra tudo o que as revistas femininas cansam de repetir, como uma lavagem cerebral. “Respeite o espaço dele, não sufoque, não grude, não seja ciumenta, não implique com o futebol dele com os amigos toda quarta, não ligue a cada cinco minutos quando ele estiver na happy hour com o pessoal do trabalho (e em nenhuma outra ocasião), em hipótese alguma abra a boca enquanto ele assiste ao jogo do Timão (ou do Verdão, do Tricolor ou seja lá qual for), aprenda (e faça) um milhão de truques e ‘técnicas’ sexuais, jamais apareça na frente dele com máscara de pepino no rosto, não ronque, esteja s-e-m-p-r-e bem cuidada, seja P. (%#$) na cama e lady na sociedade, além de carinhosa, gostosa, sexy, companheira, inteligente, boa dona-de-casa (e de cama), cozinheira de mão-cheia e blá-blá-bá”. Em suma, seja um robô. Meu conselho: seja você mesma.

Garanto a você: nada disso é realmente importante ou faz um relacionamento “dar certo” (vulgo ‘durar muito tempo’ – aliás, quem disse que quantidade de tempo tem alguma relevância quando se trata de sentimentos e intensidade?). Sinto dizer, mas nem amor verdadeiro e recíproco somado a altas doses de afinidades e ‘química’ - física e mental - são suficientes para duas pessoas ficarem, de fato, juntas. É preciso mais. É preciso fazer escolhas. É preciso acreditar e querer ficar junto na prática. E, para isso, é preciso antes de tudo, ter coragem. Coragem para encarar o ser que, muitas vezes, mais (e tanto) nos amedronta - o que mora dentro de nós.

A maior praga comportamental é o narcisismo crônico gerado por uma gritante insegurança – camuflada, claro. Ele não permite, em hipótese alguma, que n-a-d-a abale o ego. E o que mais ameaça essa palavra tão pequena e de vasta complexidade – “ego” - é, contraditoriamente, o sentimento Verdadeiro (assim mesmo, em caixa alta) por outra pessoa. O Amor alimenta e destrói o ego. Nos presenteia com sorrisos sem motivos, brilho nos olhos e deliciosas caras de “paisagens” mesmo nos dias de TPM aguda (tá, tudo bem, na TPM é exagero). O amor torna quem ama vulnerável. E tornar-se vulnerável é a total arruinação do ego. E conseqüentemente do amor, no caso dos covardes.

Há quem discorde, mas o amor é egoísta. O ego também. Ambos não querem perder quem amam para um outro alguém. Por amor e por ego. Hoje, necessitamos controlar todas as situações e principalmente, quem amamos. Só que a tal vulnerabilidade não nos permite o controle e assim, temos pânico de nos “perder” no amor se permitirmos o outro adentrar. Não em nosso cotidiano, mas na infinita profundeza de nossas almas. É como um grito silencioso que, eloqüente, teme o fracasso. Muitas vezes antes da tentativa de vencer.

Bom mesmo seria se todos nós nos sentíssemos confortáveis sendo vulneráveis a outra pessoa. É por isso que, parafraseando Arnaldo Jabor, “Amar exige coragem e hoje somos todos covardes”. O distorcido receio em perder a própria identidade num relacionamento não revela medo do outro e sim, de nós. Não de quem nos mostramos exteriormente, mas de quem somos em nossa tão sigilosa e supostamente secreta, essência.

Tememos soltar nossas amarras interiores. Vestimos armaduras, tão duras, que escondem o que temos de melhor e de mais belo. Nos defendemos de quem não nos ataca. Atacamos, por defesa, quem nos liberta. Ou poderia nos libertar. Vivemos num eterno baile de máscaras, dançando em pistas abarrotadas de fugitivos em busca de efêmeras e fantasiosas amnésias para saciar o nosso vazio existencial. E real.


Ao nos olharmos no espelho, vemos fantasmas. Somos desconhecidos de nós. Atuamos numa incessante peça de teatro, representando personagens difusos nos palcos da vida real. Esquecemos a Arte e nos vendemos ao ínfimo “amor” comercial. Perdemos as lentes de contato que antes nos permitiam, talvez, ver as belezas escondidas nas almas despidas enquanto vestidas.

E de montagem em montagem, classificadas de comédias românticas (ou seriam drásticas e medíocres?), permanecemos numa infindável retaguarda, com medo de sentir medo no futuro que depende do agora. Tolo e desnecessário medo que nos assombra com a fictícia “ameaça” da não-representação, ausente de figurinos, cenários e personagens. Tememos contracenar com a realidade do amor espiritual o bastante ao ponto de descobrir e nos revelar quem, no fundo, mais tememos conhecer: nós mesmos.

Como já filosofava Nietzche, “Cada um é para si, o mais distante. O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo”. Grande sábio!

26 Fevereiro 2007

Desastres que eles cometem no primeiro encontro

Alguém aí sabe onde vende manual de bom senso para homens? Favor entregar um exemplar no endereço do meu ex-(pseudofuturo)-caso. Grata

Sábado à noite e lá vou eu, toda feliz, me arrumar para um primeiro encontro que promete. Tomo um banho daqueles bem demorados, com direito a cantar todas as faixas do meu CD preferido e a usar t-o-d-o-s os meus cremes para ocasiões especiais. Depois vem a máscara de argila no rosto, mais uma hora para fazer escova no cabelo, mais outra para a maquiagem. Fora as duas horas que fiquei plantada no cabeleireiro à tarde. Roupa escolhida a dedo - claro que comprei vestido novo e vou usar aquela sandália de salto altíssimo (a bendita que estourou o limite do meu cartão de crédito este mês), afinal, eu mereço. E o gato também!

Depois perguntam por que demoro tanto para me arrumar. Tá pensando que é fácil (e rápido) ficar linda? Para finalizar, me olho no espelho e não posso deixar de dizer: "M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a, vai arrasar hoje!". É, eu arrasei. Com todas as minhas esperanças, isso sim. Ou melhor, o Léo "arrasou" com elas.

Conheci o bofe na quarta, em uma festa fechada com gente bonita e clima de paquera. Nem sei ao certo como ele se aproximou de mim, mas quando vi, estava conversando com aquele homem alto, forte, bem vestido, com ótimo papo, inteligente e charmoso. A festa se resumiu a horas de conversa regada a muitas risadas e troca de telefones. "Te ligo amanhã", ele disse. E ligou.

E o sábado chegou. Ele veio me buscar em casa - e acho que, nessa hora, o meu anjo da guarda foi ao banheiro. Por que diabos ele não fez com que eu olhasse pela janela primeiro, como de praxe? Desci. No elevador, retoco o batom - e por que o porteiro não interfonou e me alertou? É claro que não... ou você acha que ele iria perder a 'cena do ano'?

Ao descer as escadas do prédio, vejo um ser parado e em pé na calçada. Como sou míope, olhei de novo. "Não, não deve ser. É engano", pensei. E continuei até chegar ao portão. Dou de cara com ele. Não era engano. Ou melhor, era. Aquele não era o Léo da festa de quarta. Quem estava ali não era o cara de calça e camisa (nem engomado, nem desarrumado) que conheci. Eu estava diante - e completamente sem saída - de um ser bombado, de regata justa, boné e... (ai!) po-che-te. Não, você não leu errado, cara leitora. O cara foi me levar para jantar num sábado à noite, em São Paulo e não na praia, de po-che-te.

Isso, ri da desgraça alheia. Não foi você que gastou creme, tempo, dinheiro e paciência à toa. Confesso que, apesar de ser vaidosa (é, não nego), não sou de ficar reparando na roupa, sapato, carro ou qualquer outra coisa material da pessoa com quem saio. Mas convenhamos, não tem como não ver uma pochete - junto com todo o contexto totalmente diferente de quem eu tinha conhecido antes - cismando em olhar pra mim, ali, bem diante dos meus olhos - e do meu porteiro. Não dá.

Com o "causo-da-pochete", deixei uma amiga traumatizada. Em poucos minutos, ela esqueceu de todos os seus primeiros encontros que acabara de relatar, indignada, e que a fizeram perder totalmente o encanto por candidatos em potencial. A lista incluía homens de terno e sapato sem meias, além de erros gritantes de português vomitados no meio de conversas que fluíam de forma, aparentemente, inteligentes. Teve outro que a levou para comer ‘pizza de frango com catupiry’ e, como se não bastasse, desembestou a discursar sobre a Senhora sua mãe - octogenária e católica fervorosa que (pasme!) ainda regula os horários do filho já mais que marmanjo.

Já no quesito gafes sexuais na primeira vez com um novo "pretê", outra amiga - que de vulgar não tem n-a-d-a - contou de um cara mega-educado e tímido, com bons níveis sociais, culturais e financeiros, que ficou meses a conquistando no maior romantismo, com direito a levá-la no alto de um prédio à noite para ver a vista e nem sequer beijá-la. Quando ele finalmente resolveu tomar uma atitude (aleluia!), se revelou outra pessoa na cama. Surpreendente. Tanto ou até mais do que a derrota do Brasil na última Copa. No meio da transa, o gentleman começou a chamá-la de "cachorra", com direito a tapas e a palavras ‘picantes’ (ou seriam inseguras?) de auto-elogios à sua excepcional - entenda-se: broxante - performance e pseudo-membro (se é que você me entende). Não dá. Ou melhor, ela deu. E nunca mais.

A gente lê em um monte de revistas tudo o que não podemos (e o que devemos) fazer num primeiro encontro. Esqueça todas as teorias e, no próximo, não crie expectativas e muito menos gaste seus cremes. Porque muitos homens, definitivamente, não lêem o manual do bom senso para conquistar uma mulher. Aliás, o "manual" é um só: química. E essa não se aprende, não se explica e nem se força. Acontece - simples e naturalmente. E talvez até com (argh!) pochete, vai saber?

* Coluna publicada e produzida para o Guia da Semana

24 Fevereiro 2007

Sanidade

"Loucos são os normais"

* Só mesmo muita loucura para querer ser uma pessoa normal nesta vida, louca vida. Amém.

22 Fevereiro 2007

Alma da Visão... ...Visão da Alma

Olhe nos meus olhos
E veja tudo o que não mostro
E tanto mostro
A quem sabe "olhar"...

Olhe nos meus olhos
E ouça o silêncio
Das palavras não ditas
Que dos meus olhos gritam

- - -

Olhe nos olhos
E veja a beleza escondida
Nas almas despidas
Enquanto vestidas

Feche os olhos
E "olhe" nos meus olhos...